e sofrência sem sadomasoquismo justificando a ausência
de fogo na véia
Excitante mesmo é sentir a adrenalina da sobrevivência.
Como se não bastasse sermos pobres, somos migrante,imigrante
e lésbicas.
Sem aquele romanticismo, sem esse modernismo autodestrutível
porque para seguirmos juntas foi preciso muita consciência do querer, colocar a decisão de ser por sobre as etiquetas e estéticas que eles patrocinam pra nos submeter,
com as forças prontas para furar qualquer bolha de ilusão que incluísse duas mulheres desenhando outros mundos possíveis por fora das regras e restrições, essas que existem pra ter nessa sociedade o direito de amar.
Decidimos então que não precisamos mesmo dessas licenças, nem de explicações, nós criamos nossos próprios moldes, inclusive antes de ter "referências teoricas" não porque elas não existem mas porque estão ocultas e não é fácil encontrá-las na palavra seca que não semea caminhada. Nos refugiam as histórias das inadaptadas e a coragem dessa andança quebrantada.
Pobres, porque pra quem nunca teve conforto material, nesse mundo desigual, nem terra pra plantar, desapegar é uma resposta radical letal contra o capital.
Nómadas, porque migrar é uma trilha ancestral, desde muito cedo enfrentar os medos tornou-se natural, fazer e desfazer as malas, ensaiar pra libertar, correr pra algum lugar onde ser quem você é
não seja criminal
Quase nunca se chega especificamente num lugar,
vamos criando os caminhos ao andar, também se aprende bem o que é amar, as velhas abelhas, deixam ecos para voar, elas guiam nossa vida fora do normal, quem apagou os saberes da diversidade com bíblia, teoria Freudiana e outras façanhas, hoje nos quer desaparecer com muitas outras justificativas começando pela família na heteronorma imposta e adquirida.
Lésbicas, não faltou quem disse: -"Teve oportunidade e não aproveitou" oportunidade de ser escrava sexual em troca de dinheiro, arroz e feijão, e uma melhor posição ahg!
Quando uma mulher aprende a amar mulheres como resposta política a tanta violência nunca mais se pode confiar em que homens tem a capacidade de amar ou cuidar, nem sequer ser amigos ou aliados, você só se torna cada vez mais alvo, cada vez mais fetiche, cada vez mais vulnerável e a única saída confiável, o único lugar seguro pra sempre vai ser o abraço de uma mulher.
É ali, onde acendeu a faísca das rebeldes, das invisíveis, das ignoradas agridem, das vilipêndiadas das fugitivas da mata.
É assim que as artistas resistem, transcendem e sobrevivem.
Artistas, porque a arte é a única que transforma qualquer circunstância em um palco, qualquer experiência ruim na dramaturgia de uma história que talvez alguém precise ouvir, temos isso pra falar, ganhar é simplesmente resistir um dia a mais, aliar-nos, encontrar-nos, amar-nos, enfrenta-los com a nossa verdade, e preparar as barricadas porque a reação não vai chegar tarde,
eles estão lá fora batendo a porta pra entrar, tentando com força apagar nossa existência despistando com muitas siglas inventadas os conceitos que até hoje continuam nos perturbando, não temos nem tempo pra responder de tanto mulear nos trabalhos braçais,
não temos porque suportar os gritos imponentes uma vez mais.
Somos mulheres, não por decisão, nunca tivemos essa opção, nossa única culpa para a opressão é nascer com vagina e capacidade de reprodução, não acreditamos nas estruturas, instituições nem muito menos acreditamos na academia que extraei saberes ancestrais e os converte em manipulada mercadoria, somos abolicionistas, porque nossos corpos são nosso primeiro território de defesa, somos raiz, radicais, somos memória recuperando e resistiendo nos saberes da Abya Yala. ¡Aguijevete para as que lutam!
¡Queremos lesbianizarte a palavra!